terça-feira, 23 de agosto de 2016

DONS DE CRISTO - O MINISTÉRIO PASTORAL



De todos os dons ministeriais, certamente o dom de pastor é o mais difícil de ser exercitado. Sem dúvida alguma, nos dias presentes, em pleno século XXI, ser pastor não é missão fácil.

Os primeiros pastores, no Novo Testamento, em geral, pagaram com a vida pelo fato de representarem a Igreja de Jesus. As forças infernais, usando os sistemas religiosos, políticos, econômicos e sociais, investiram pesadamente contra os que foram levantados como líderes, nos primórdios da Igreja. Tiago, “irmão de João”, foi morto por Herodes, para satisfazer a sede de sangue dos judeus fanáticos, que não entenderam a missão de Cristo e de seus seguidores. Pedro foi preso com o mesmo destino, para ser morto, num espetáculo macabro, que agradaria aos inimigos do evangelho de Cristo. Mas foi poderosamente liberto do cárcere, por intervenção direta de Deus, que enviou seu anjo para salvá-lo da morte programada e continuar sua missão (At 12.11).

Eles eram pastores, apóstolos, evangelistas e líderes da Igreja, em seus primeiros dias, após a Ascensão de Jesus. Pedro e João foram presos por terem sido instrumentos de Deus para a cura de um coxo de nascença, posto à porta do templo. E foram libertos para proclamarem o evangelho de Jesus (At 3.1-6; 4.1-21). De modo geral, segundo a tradição e a história da Igreja, somente João Evangelista teve morte natural, alcançando extrema velhice, após passar por sofrimentos atrozes. Os demais apóstolos de Jesus tiveram morte trágica, nas mãos dos sanguinários inimigos da fé.

Nos primeiros séculos, a perseguição aos servos de Deus foi cruel. “As perseguições só cessaram, quando Constantino (272-337 d.C.), imperador de Roma, tornou-se cristão. Seguiu-se uma era de crescimento numérico do Cristianismo, embora, nem sempre, acompanhado de autenticidade e genuíno testemunho cristão. A mistura entre a Igreja e o Estado trouxe enormes prejuízos à ortodoxia neotestamentária”.

Os regimes ditatoriais do nazismo, do fascismo e do comunismo, sempre procuraram destruir os pastores das igrejas cristãs. Cientes de que, mortos os líderes, os fiéis sempre se dispersariam e abandonariam sua fé. Mas cometeram grave engano. Quanto mais os cristãos foram mortos, mais seu sangue serviu para regar a sementeira do evangelho. Jesus disse que “as portas do inferno” não prevaleceriam contra a sua Igreja (Mt 16.18). Pastores foram presos, torturados e mortos. Mas a Igreja de Jesus segue sua marcha triunfal, em direção ao seu destino, que é chegar aos céus, na vinda de Jesus, e reinar com Ele sobre as tribos de Israel (Mt 19.28) e sobre as nações (Ap 20.6).

Nos dias atuais, ser pastor não é absolutamente tarefa fácil, para quem deseja exercer o ministério com fidelidade e sacrifício. As oposições externas e internas, muitas vezes, perturbam as atividades do pastor. Dessa forma, o dom ministerial de pastor precisa muito da graça e da unção de Deus para que seus detentores não fracassem espiritual, emocional ou fisicamente. Necessitam muito das orações, da compreensão, do apoio e do amor dos crentes em Jesus. Vamos refletir sobre a função pastoral, com base no que a Palavra de Deus nos revela sobre essa importante missão.


Um caráter íntegro.

Vamos enfatizar as características do verdadeiro pastor, no sentido humano, daquele que tem o chamado de Deus para ser um guia de parte do rebanho do Sumo Pastor. E o que tem o dom ministerial de pastor. Não é qualquer pessoa que tem condições de receber esse dom, ainda que seja o mais procurado pelos aspirantes ao ministério eclesiástico. Paulo ensina que é Deus quem dá pastores às igrejas (Ef 4.1): “Os pastores são aqueles que dirigem a congregação local e cuidam das suas necessidades espirituais. Também são chamados “presbíteros (quando esse faz parte do presbitério local)” (At 20.17; Tt 1.5) e “bispos” ou supervisores (1Tm 3.1; Tt 1.7)”, enfim junto com os demais ministérios de governo, apóstolos e profetas tem como dever zelar pelo bom andamento da igreja local.

O pastor de uma igreja deve espelhar-se nas características do “Sumo Pastor” (1Pe 5.4). E deve possuir qualificações que o credenciem para tão importante missão. O pastor verdadeiro é dado por Deus à igreja. Ele não dá a igreja ao pastor (Ef 4.11); a igreja, mesmo no sentido local, não pertence ao pastor. O pastor deve ser um servo da igreja local, e não seu mandatário ou proprietário. A seguir, algumas dessas qualificações, conforme 1 Timóteo 3.1-7 e Tito 1.7, relativas ao bispo, que é sinônimo de pastor:

1) Irrepreensibilidade moral. Refere-se a uma vida de integridade, de que não tenha de que se envergonhar ou causar escândalo.

2) Vida conjugal ajustada (“marido de uma mulher”). Note-se que é prioridade o cuidado com a vida conjugal; no Novo Testamento, não é prevista a tolerância com a bigamia ou a poligamia; a regra é a monogamia, como plano original de Deus para o matrimônio; e o pastor como esposo deve ser exemplo para os demais esposos, na igreja, amando sua esposa e cuidando dela (Ef 5.25).

3) Vigilante. O pastor é o guarda do rebanho. Deve estar atento ao que se passa ao seu redor; vigiando, primeiro, a sua vida pessoal e ministerial (1Tm 4.16). Depois, vigiando o rebanho para alertar e livrar dos “lobos devoradores”; Ser vigilante significa ser “atento, cauteloso, cuidadoso, precavido” quanto aos perigos que o rodeiam. Para assumir a função de liderança, na igreja local, o obreiro deve ser muito cuidadoso quanto à sua vida espiritual, moral, social, familiar e em todos os aspectos. Isso porque o Diabo “anda rugindo como leão, buscando a quem possa tragar” (1Pe 5.7). O ou pastor deve obedecer o que Jesus disse: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41). Ele precisa ser “exemplo dos fiéis” (1 Tm 4.12; 1 Pe 5.3).

4) Sóbrio (simples, moderado). O pastor deve zelar pela simplicidade, no ministério; o luxo, a ostentação material, a exibição de riqueza não convém a um homem de Deus; Jesus disse: “sede símplices como as pombas” (Mt 10.16).

5) Honesto. Tem o significado de ser “honrado, digno, correto, íntegro; decoroso, decente, puro, virtuoso”. Todas essas qualificações podem resumir-se numa expressão: ser “santo em toda a maneira de ver” (1Pe 1.15). O homem de Deus não é perfeito em si mesmo, por mais que se esforce para ser santo. Mas, cuidando de sua vida pessoal, ministerial e como cidadão, pode ser muito bem visto pelos crentes como uma pessoa honesta. O seu falar deve ser “sim, sim; não, não” (Mt 5.37). Honestidade é sinônimo de integridade. O pastor ou bispo deve ser uma pessoa assim, fiel, sincera, verdadeira. Deve ser alguém que vive o que prega ou ensina (Tg 2.12).

6) Hospitaleiro. Esta palavra vem de hospital, na sua origem. Não havia casas de saúde como hoje. Uma hospedaria era um hospital, um lugar onde os viandantes podiam pousar, e também os enfermos, uma hospedaria ou estalagem (Lc 10. 34,45). Mas o pastor não tem obrigação de transformar sua casa em hospedaria. No sentido do texto, hospitaleiro é sinônimo de acolhedor, que sabe tratar bem as pessoas, sem fazer acepção de ninguém; é pecado (Dt 16.19; Ml 2.9; 1Tm 2.11; Tg 2.9).

7) Apto a ensinar. Como o pastor é o que alimenta ou apascenta o rebanho, o pastor deve saber fazer uso da Palavra de Deus, ministrando mensagens, estudos e reflexões que edifiquem o rebanho sob seus cuidados. Se não tiver essa aptidão, deve estar no lugar errado (2Tm 2.15).

8) Não dado ao vinho. Nos tempos de Paulo, o vinho era já uma bebida alcoólica que podia causar dependência química ou psicológica. Seria uma tristeza um pastor ficar embriagado pelo uso constante do vinho. Se fosse escrito hoje, o texto talvez dissesse: “não dado à cerveja, à champanhe, ao licor ou a outra bebida alcoólica”.

9) Ordeiro (“não espancador”). Por que Paulo fez referência a esse tipo de comportamento? Sem dúvida, porque observou que algum obreiro tinha o costume de “espancar” as pessoas a seu redor. Sempre houve pastores grosseiros, prepotentes, alguns que cometeram “assédio moral” contra pessoas a seu redor. Isso é reprovável sob todos os aspectos. O pastor deve ser ordeiro, humilde, de bom trato para com todos, não cobiçoso nem ganancioso. Ordeiro quer dizer que mantém a ordem, na casa de Deus.

10) Moderado. É sinônimo de suave, brando, comedido, prudente, contido. É qualidade sem a qual o pastor pode sofrer sérios revezes em sua vida, no relacionamento com outras pessoas, em seus hábitos, costumes, etc. Ele não pode ser um desequilibrado mental, sem controle de suas emoções. Para ser moderado, precisa ter o fruto da temperança e da longanimidade (cf. Gl 5.22).

11) Não contencioso. O pastor ou bispo não deve viver em contenda, nem com a família, nem com os crentes, nem. com os de fora. Contenda é o mesmo que porfia, dissensão, peleja, que são “obras da carne” (Gl 5.2,1). Diz um ditado: a melhor maneira de ganhar uma contenda é evitá-la. Com oração e vigilância é possível viver em paz.

12) Não avarento. Quer dizer que o pastor ou bispo não deve ser sovino, mesquinho, e não deve ter amor ao dinheiro (avareza), que é “a raiz de toda espécie de males” (1Tm 6,10). O pastor não deve viver em função de dinheiro ou de bens materiais. Sua missão é elevadíssima, e deve focar-se no amor às almas ganhas para Cristo, que ficarão aos seus cuidados ministeriais.

13) Que governe bem a sua casa. Esta é uma qualificação de grande importância, pois as pessoas ouvem as mensagens dos pastores, mas olham para ele e como se relaciona com a família, notadamente com os filhos. Ele é o cabeça (líder) da esposa e do lar (Ef 5.22). Ao lado da esposa, que também governa a casa (1Tm 5.14), deve criar seus filhos “com sujeição” (1Tm 3.4). Porque, diz Paulo: “se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus? (1Tm 3.5).

14) Experiente (“não neófito”). Nem todo presbítero (ancião) é pastor. Mas todo pastor deve ser presbítero. Pedro, um dos apóstolos,  líderes da Igreja Primitiva, exortou aos colegas de ministério, sobre como liderar a igreja local, dizendo: “Aos presbíteros que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar...” (1Pe 5.1). Aqui, temos base para dizer que presbítero é termo equivalente a pastor, apóstolo, profetas, evangelistas e mestres, pessoas que exercem na igreja os dons de cristo e que tem maturidade para julgar causas difíceis, assim como alguns anciões.

 Assim, o pastor não deve ser um obreiro muito novo (neófito), pois, a missão de pastor exige capacidade para aconselhar em situações que só a experiência mostra as lições a serem indicadas, da mesma forma não deve ser missão para pessoas que por mais tempo que tenham de igreja não amadureceram para o exercício.

(Homem de (com) Maturidade)

O versículo 6 de 1 Timóteo capitulo 3, oferece perspicácia muito interessante sobre a situação em Éfeso: Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo. Esta é advertência contra a promoção muito rápida à liderança de “recém-convertidos” ou pessoas “recentemente batizadas”. Embora a igreja efésia já tivesse muitos anos de existência e, provavelmente, não devesse ter carência de líderes maduros, havia indícios de que candidatos imaturos ao ministério estavam sendo postos em serviço. Paulo acreditava em maturidade e preparação de candidatos para este cargo santo, e por uma boa e suficiente razão. Existia o perigo de que, para alguém inadequadamente preparado, a tentação ao orgulho espiritual se tornasse grande demais para ser resistida. Isso é tragédia na certa, tragédia descrita pelo apóstolo nos seguintes termos: Cair na condenação do diabo.

A tradução de Phillips expressa o que o apóstolo quis dizer: “Para que não se torne orgulhoso e participe da queda do diabo” (CH).
O ministro cristão tem de estar atento para que o orgulho não o compila a participar desta condenação.

15) De bom testemunho perante os descrentes (“bom testemunho dos que estão de fora”). O pastor deve ser um proclamador do evangelho transformador de Cristo. Seu testemunho deve ser uma pregação viva de que Jesus converte e transforma o pecador. Esse testemunho deve ser demonstrado, primeiramente, em sua vida pessoal; depois, em sua casa, na igreja e, por fim, perante todas as pessoas que o conhecerem.


O SIGNIFICADO DE PASTOR

A palavra pastor vem do latim, pastor, com o significado de “aquele que guarda as ovelhas”, “o que cuida das ovelhas”. Na língua original do Novo Testamento, pastor (gr. poimen), de acordo com Vine, é “... aquele que cuida de rebanhos (não meramente aquele que os alimenta), é usado metaforicamente acerca dos ‘pastores’ cristãos (Ef 4.11)”. Em termos ministeriais, o pastor é aquele que tem esse dom ministerial, e é encarregado de cuidar da vida espiritual dos que aceitam a Cristo e ficam sob seus cuidados, numa igreja ou congregação local. Pastor é um termo de cuidado, de zelo, de ternura, para com as ovelhas de Jesus.

A Missão do Pastor

A principal missão do pastor é cuidar das ovelhas de Cristo, que lhe são confiadas. A ele cabe apascentar (gr. poimanô) as ovelhas, dando-lhes o alimento espiritual, através do ensino fundamentado (doutrina) da Palavra de Deus. No Salmo 23, Davi mostra o cuidado do pastor. Ele leva as ovelhas a deitar-se “em verdes pastos”. O pastor fiel leva as ovelhas de Jesus a alimentar-se do “pasto verde”, que nutre a alma e o espírito, fortalecendo-as, para que cresçam na graça e conhecimento do Senhor Jesus Cristo (2Pe 3.18).

A atividade pastoral genuína é tão importante, que o profeta Isaías, falando ao povo de Israel, acerca do livramento que lhe seria dado, usa a figura do pastor, aplicando-a ao próprio Deus (Is 40.11). O verdadeiro pastor cuida bem das ovelhas: recolhe os cordeirinhos (os mais fracos, mais novos) entre os braços; leva-os no regaço; aos novos convertidos, os “amamenta”, como a “bebês espirituais” e os guia mansamente.

Muitos obreiros, principalmente os mais jovens, aspiram ao pastorado. Não é errado ter essa aspiração. Paulo escreveu ao jovem obreiro Timóteo: “Esta é uma palavra fiel: Se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja” (1Tm 3.1). Mas os candidatos ao episcopado (pastorado) devem ter consciência de que um pastor é alvo de grandes contradições e oposições, a despeito de sua honrosa missão. A lista de contradições sobre o que as pessoas pensam do pastor, é ampla e variada. Alguém já escreveu diversas listas sobre isso. A seguir, resumimos uma delas:

Se o pastor é ativo, é ambicioso; se é calmo, é preguiçoso;
se o pastor é exigente, é intolerante; se não exige, é displicente;
se fica com os jovens, é imaturo; se fica com os adultos, é antiquado;
se procura atualizar-se, é mundano; se não se atualiza, é de mente fechada, retrógrado, ultrapassado;
se prega muito, é prolixo, cansativo; se prega pouco, é que não tem mensagem;
se veste-se bem, é vaidoso; se veste-se mal, é relaxado;
se o pastor sorri, é irreverente; se não sorri, é cara dura.

O que o pastor fizer, alguém pensa que faria melhor. Pode parecer algo hilário ou grotesco, mas reflete um pouco a visão que muitas pessoas têm do pastor de uma igreja local . Aliás, alguém já escreveu, dizendo que “pastor é uma espécie em extinção”.

Mas tais contradições não devem ser motivo para desânimo ou desinteresse pelo ministério pastoral. O Sumo Pastor, Jesus Cristo, foi alvo de piores referências a seu respeito, mesmo demonstrando que era um ser especial, humano e divino, que só fazia o bem. Seus opositores o acusaram de ser “comilão e bebedor” (Mt 11.19); de ter demônio (Jo 8. 52); de ser endemoninhado e expulsar demônio pelo príncipe dos demônios (Mc 3-22); e de tramar contra o governo da época, justificando sua condenação (Lc 23.2; Jo 19.12). Mas Jesus não desistiu. Foi até ao fim, entregando sua vida em lugar dos pecadores. E cumpriu a sua missão (Jo 19.30).


O cuidado contra os falsos pastores.

Lamentavelmente, existem falsos pastores. Deus mandou o profeta Ezequiel repreender os pastores infiéis de Israel. Em suas qualificações negativas, podemos entender o que faz um falso pastor, nos dias atuais.
1) Eles não cuidam do rebanho. Mas aproveitam-se do pastorado para “apascentarem a si mesmos” (Ez 34.2 c). São oportunistas. Aproveitam-se das ovelhas para angariarem glórias para si.

2) Eles enriquecem às custas das ovelhas. Diz o texto: “Comeis a gordura, e vos vestis da lã, e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas” (Êx 34.3). Há casos de pastores que se tornam milionários, com fazendas, aviões, e muito dinheiro, aproveitando-se das necessidades e carências dos crentes.

3) Eles não têm amor às ovelhas. Pouco lhes importa a situação espiritual dos crentes. Só pensam em se aproveitar do pastorado (Ex 34.4). Nas igrejas dos falsos pastores, não há ensino, doutrina e cuidado com os novos convertidos; nem com os desviados e os crentes fracos.

4) Eles dispersam as ovelhas. Por não terem cuidado das fracas, das doentes, das quebradas e das desgarradas, elas se dispersam e são vítimas das “feras do campo”, que são inimigos do rebanho. “Assim, se espalharam, por não haver pastor, e ficaram para pasto de todas as feras do campo, porquanto se espalharam. As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes e por todo o alto outeiro; sim, as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a face da terra, sem haver quem as procure, nem quem as busque” (Ez 34.5,6).

5) Deus é contra tais pastores. Em Ezequiel 34.8-10, diante de tão grande calamidade espiritual, perpetrada por falsos pastores, O Senhor mandou dizer pelo profeta que Ele próprio cuidaria de suas ovelhas (Ez 43.11, 12). Que Deus nos guarde desses pastores, reprovados pelo Sumo Pastor.


O Pastor dos pastores.

O escritor aos Hebreus denomina Jesus Cristo de “o grande Pastor das ovelhas” (Hb 13.20). Só Ele merece a qualificação de “grande”. No seu nascimento, marcado pela humildade e despojamento de sua glória, Jesus foi chamado de “grande”, na mensagem do anjo a Maria (Lc 1.32). Nenhum pastor, nas igrejas locais, deve aceitar o título de “grande”, pois só Jesus o merece. Ele é grande em todos os aspectos que se possam considerar em relação à sua pessoa.

ELE É DEUS!

Todos os fundadores de religiões pereceram e seus restos mortais jazem sob a tumba fria. Em seus túmulos consta a inscrição “aqui jaz” fulano ou sicrano. No túmulo de Jesus, há uma inscrição diferente e gloriosa: “Ele não está aqui porque ressuscitou” (Mt 28.6; Mc 16.6). Se Jesus houvesse sido um homem comum, mortal, jazeria no túmulo como Buda, Maomé, Alan Kardec e outros fundadores de religiões ou de seitas. Mas Jesus é Deus. Como tal, venceu todos os poderes cósmicos, espirituais, humanos e físicos. E, por fim, vitorioso, venceu a morte!


ELE É A PORTA DAS OVELHAS

Jesus é o grande pastor das ovelhas, porque ele é “a porta das ovelhas” (Jo 10.7). Em termos espirituais, as ovelhas ou os salvos em Cristo só podem chegar ao céu, na presença de Deus, através de Cristo, de seus ensinos, de seu exemplo marcante, que deixou para todos os pastores e crentes de todas as idades. Ele disse que era “o Bom Pastor”, que dá a vida por suas ovelhas e as conhece pelo nome (Jo 10.11, 14).

Para entrar no seu redil, o pecador tem que arrepender-se, crer em sua Palavra, e segui-lo (Jo 10.9). Não pode entrar, saltando os muros. O Adversário é “ladrão e salteador”, porque não entra pela porta das ovelhas. Ele, e somente Ele, dá acesso ao homem à presença de Deus. Jesus é ao mesmo tempo, “a porta”, “o caminho e a verdade e a vida”. E declarou: “Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6).

"A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo." Romanos 10:9

Fonte: Elinaldo Renovato. Dons espirituais e Ministeriais Servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário. Editora CPAD. (Livro de Apoio EBD). [1]Revista Ensinador Cristão nº58 pg.40 [2]J. Glenn Gould. Comentário Bíblico Beacon. Ed.CPAD. Vol. 9. pag.471-472 W.E.VINE - Dicionário Vine PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe


quarta-feira, 10 de agosto de 2016

As divisões da Terra dos tempos bíblicos em Israel




No AT Deus deixou regras e princípios claros da terra, sua divisão, herança e venda da terra.



Em Levítico 25.23 Deus estabelece a lei: "Também a terra não se vendera em perpetuidade, porque a terra e minha; pois vos sois para mim estrangeiros e peregrinos". A terra podia ser arrendada ate o ano do jubileu, que era festejado a cada cinquenta anos. Sempre que a Bíblia traduz "vender a terra", leia-se arrendamento. A terra, a cada cinquenta anos voltava para alguém da família daquela tribo.

Essa lei de direito agrário permitiu que Noemi resgatasse as terras que eram de seu esposo e cujo resgatador naqueles dias, uma pessoa que a Bíblia não menciona o nome, permitiu que Boaz a resgatasse (Veja Rute 4).

Foi em obediência a este principio que Nabote recusou vender suas terras a Acabe. Jezabel, naqueles dias, havia implantado o sistema fenício de direito perpetuo de propriedade rural, mais tarde adotado por Roma. Em Israel, no entanto a terra era "arrendada" ou vendida por no máximo 49 anos. E o preço do arrendamento era a quantidade de safras. Se faltassem 10 anos para o jubileu da terra, o preço da venda ou arrendamento era de dez safras.

O que caracteriza a legislação em Levítico e o fato que, depois da invasão de Canaã por Israel, a divisão da terra por lotes foi enfatizada como uma herança do Senhor a ser passada de geração em geração. O termo moderno "lote" usado para referir-se a um pedaço de terra, ou a um terreno vem diretamente deste conceito. As palavras hebraicas e gregas geralmente traduzidas como "herança" referem-se a esta divisão de lotes. As inúmeras referencias na Bíblia ao termo "herança", "lote", "linhagem", "posse", etc., aparecem como pano de fundo destacando a vontade de Deus que divide igualitariamente ao seu povo.

Entretanto, depois que a terra foi dividida e loteada, cada porção permanece no âmbito da família ou do clã que a recebeu e jamais poderá ser alienada. A terra nunca pertence a um Individuo, mas a todas as futuras gerações daquele que atualmente a possui. Assim, ele não pode dar o titulo de propriedade da terra a ninguém mais. Nem tão pouco poderá, ainda que cobice as terras de seu vizinho, acumular uma vastidão de terra para si mesmo, a menos que seja temporariamente.

Conforme Levítico 25 quando um posseiro desejar vender a terra tudo o que pode fazer e assinar um termo de "arrendamento" que vigorara ate o ano do jubileu. O termo "leasing" que também e usado em português especifica que um produto, um objeto, uma casa ou carro, esta sendo pago, mas não e propriedade permanente da pessoa que o utiliza. Este apenas arrendado.

Não ha uma palavra na Escritura traduzida como "aluguel" ou "leasing" porque o conceito de vender uma terra como e conhecido na maioria dos países "civilizados" não existe na Bíblia a não ser como crime! Ha, entretanto, três exceções, onde um titulo perpetuo poderia ser adquirido por compra.

Três exceções sobre o direito agrário podem ser vistas nas Escrituras:

(1) A primeira esta em Genesis 23 quando Abraão comprou dos hititas um sepulcro num pedaço de terra para sua possessão perpetua. Presume-se que este foi um titulo valido sob as leis dos hititas. Todos os anciãos presenciaram a transação comercial e a aprovaram.

(2) A segunda esta em Genesis 33 quando Jacó comprou um pedaço de terra onde edificou a sua tenda com a finalidade de edificar um altar. Ele a comprou dos siquenitas. Este negocio e mencionado outra vez em Josué 24.32 e Joao 4.5. Foi adquirido de toda a tribo de Siquem e não de um individuo apenas.

(3) Finalmente, em 2 Samuel 24 e em 1 Crônicas 21 lemos o registro de Davi comprando a eira de Araúna dos jebuseus (Araúna ou Ornam aparece como um titulo de família e não um nome de pessoa).

Afora esses registros que destacam a compra de terras sob as leis vigentes de outros povos, os judeus não podiam vender suas terras permanentemente, mas apenas "aluga-las" ou arrenda-las ate o jubileu.

Sob condições normais da lei, quando um pedaço de terra e vendida (alugada), o vendedor tem o direito de redimir a terra a qualquer momento indenizando o restante do aluguel (Lv 25.24-28). Se o vendedor não pode redimir a terra (pagar para tê-la de volta), seu parente mais próximo terá que faze-lo.

O máximo a que isto era permitido era 50 anos, todos os alugueis e cessões de terra terminavam com o ano do jubileu, ou o ano da liberdade, o ano da trombeta. A palavra hebraica "yobel" e traduzida tanto trombeta como jubileu, dependendo do contexto.


Fonte:  Trecho do livro, Cultura  Bíblica
Pr João Antônio de Souza Filho

terça-feira, 9 de agosto de 2016

DONS DE CRISTO - O MINISTÉRIO DO EVANGELISTA.



O ministério de evangelista é um dos mais lindos entre os cinco ministérios citados pelo apóstolo Paulo na carta aos Efésios, 4.11. A igreja deve valorizar e promover este ministério. Uma igreja que não exerce o ministério de evangelista, não cresce em números como deveria. O evangelista é um homem chamado por Deus e vocacionado para propagar a mensagem do Evangelho, ele é um ganhador de almas apaixonado.

Evangelista não é título, é ministério é uma pessoa dada por Cristo à Igreja.

Se você tem o título de evangelista, mas não ganhou nem uma alma este mês, você pode ser tudo, menos evangelista. Evangelista é apaixonado por almas. Evangelista amanhece e anoitece pensando em ganhar almas, aliás não só pensa, ganha mesmo. Infelizmente, hoje muitos se intitulam de avivalistas e conferencistas, até parece que o ministério de evangelista foi extinto ou caiu em desuso. Todavia, Deus continua levantando homens para exercer esse lindo ministério, seja pregando para multidões ou para um pequeno grupo de pessoas, até mesmo individual.

O ministério de evangelista.

O ministério de evangelista é extraordinário, um verdadeiro evangelista não se detém em ficar fixo em uma igreja. "Nos dias atuais parece haver muitos avivalistas e poucos evangelistas. Existem Igrejas super lotadas de pregadores, mas vazias de ganhadores de almas. E, além disso, a verdadeira função do evangelista, é que ele deve ser visto mais fora da Igreja do que dentro dela, isto é, que ele não seja somente visto numa função local; mas que sempre avance na direção das almas perdidas sem Cristo; ajudando apóstolos a fundar novas Igrejas e comunidades".

Existe três tipos de evangelistas:

1. Todos os crentes que evangelizam e falam do amor de Cristo para as pessoas.
2. Um ministro que desenvolve um trabalho evangelístico, mesmo que não seja a sua vocação.
3. O evangelista vocacionado, chamado e consagrado nesta função ministerial.

Como deve atuar um evangelista na época atual?

1. Promover e organizar junto à igreja local eventos evangelísticos.
2. Discipular os crentes através de estudos, seminários e palestras acerca de evangelismo.
3. Pregar sempre mensagens evangelísticas nas ocasiões oportunas.
4. Procurar utilizar a mídia (os meios de comunicação) para propagar o Evangelho.
5. Ir em busca das almas através do evangelismo pessoal, promover evangelismo nos lares através de curso bíblico.

Finalmente: Um evangelista autêntico deve ser um desbravador na obra da evangelização. Um vibrante, atuante e dinâmico pregador do Evangelho. Ele fica inquieto quando não ganha almas e quando não vê almas se convertendo a Cristo. A palavra de Deus nos diz: Ó vós que fazeis menção do SENHOR, não haja silêncio em vós (Is.62.6). Ele clama por salvação e justiça. Por amor de Sião, não me calarei e, por amor de Jerusalém, não me aquietarei, até que saia a sua justiça como um resplendor, e a sua salvação, como uma tocha acessa (Is.62.1). Ele é um verdadeiro arauto do Evangelho.

O evangelista tem compromisso com Cristo, não com pessoas.


Após o evangelista ganhar a pessoa ele tem o compromisso de discípula-lá.
Não existe evangelismo verdadeiro sem a doutrina do pecado, e, por semelhante modo, sem a compreensão do que seja o pecado. Um Evangelho que meramente diga “Venha a Jesus”, oferecendo-o como amigo, oferecendo aos homens uma maravilhosa vida nova, mas sem o antecedente da convicção de pecado, não é o Evangelho do Novo Testamento.

A essência do evangelismo consiste em se começar a pregação pelas exigências da lei, da palavra; e é por causa do fato de que a lei não vem sendo pregada devidamente que há tanto evangelismo superficial. Examine a questão por meio do próprio ministério do Senhor Jesus, e você não poderá evitar a impressão de que, vez por outra, longe de pressionar as pessoas para que O seguissem e se decidissem por Ele, Ele colocou grandes obstáculos no caminho delas. É como se Jesus estivesse dizendo: “Você percebe o que está fazendo? Você já calculou o preço? Você percebe onde isso poderá levá-lo? Você sabe o que significa negar-se a si mesmo e diariamente tomar sua cruz e seguir-me?”.

O evangelismo autêntico assevero eu, em virtude da doutrina do pecado, sempre deve passar pela pregação das exigências da lei. Isso explica que a humanidade está diante da santidade de Deus, que os homens são confrontados pelos seus requisitos e pelas horrendas consequências do pecado. É o próprio Filho de Deus quem adverte os homens da possibilidade de serem lançados no inferno. Ora, se porventura você não gosta da doutrina do inferno, então está simplesmente discordando do Senhor Jesus. Ele, que é o Filho de Deus, acreditava na existência do inferno; e é na exposição que Ele fez sobre a verdadeira natureza do pecado que descobrimos que ele ensinou que o pecado, em última análise, leva ao inferno. Assim sendo, a evangelização completa de uma pessoa deve passar pela santidade de Deus, pela pecaminosidade do homem, pelas exigências da lei, pela punição determinada pela lei, e, finalmente, pelas eternas consequências do mal e da prática da injustiça.
Somente o indivíduo que foi levado a perceber a sua própria culpa, dessa maneira, pode recorrer a Cristo, para dele receber livramento e redenção. Qualquer crença no Senhor Jesus que não esteja alicerçada nesses fatores, não é uma crença autêntica em Cristo. Uma pessoa pode ter um tipo de crença pscicológica, até mesmo no Senhor Jesus Cristo; mas a crença legítima enxerga nele o Libertador que nos livra da maldição da lei.
O verdadeiro evangelismo começa por aí, e, como é óbvio, envolve, primariamente, a chamada ao arrependimento, “…arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo” (Atos 20:21).

Fontes:
Estudos No Sermão do Monte – Editora Fiel
Professor de teologia: Jânio Santos de Oliveira