segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O PORQUE DAS TENTAÇÕES

Texto base: Mt 4.1-11

INTRODUÇÃO
Conta-se a história de um vendedor que estava procurando uma vaga para estacionar seu carro. Rodou alguns quarteirões uma vez, duas vezes, várias vezes, e finalmente, já em desespero, deixou o carro numa , e pôs no para-brisa um bilhete: “Seu guarda, dei varias voltas no quarteirão e não achei vaga; se não fizer a entrevista com um cliente perco o emprego. Perdoa-nos as nossas dívidas”. – O guarda encontrou o bilhete e deixou outro com a multa: “Há 20 anos que dou voltas neste quarteirão. Se não multá-lo, quem vai perder o emprego sou eu. Não nos deixes cair em tentação!”
Ninguém precisa sair atrás da tentação porque ela vem muito naturalmente. Ela vem ao pobre, ao rico, aos crentes e aos descrentes. O crente novo é tentado, e também o crente antigo. Jesus Cristo foi tentado. Sem a tentação e o direito de escolher entre o bem e o mal seríamos uma máquina, e Deus não nos isenta das nossas responsabilidades na hora da escolha.
Um televisor não tem o direito de escolher se liga ou não; se sintoniza no canal 2 ou no canal 7. O alarme de um despertador funciona as 05h30min da manhã porque alguém o programou.
Sem o direito de fazer escolhas, o nosso valor moral seria o mesmo de um inseto ou de um animal – agiríamos apenas por instinto.
Por isso, a tentação é uma encruzilhada em nossa vida com os letreiros trocados. No caminho do bem diz: “CAMINHO DA TRISTEZA”; e no caminho da miséria, da desgraça indica: “CAMINHO DA FELICIDADE”. Por isso que o Senhor Jesus nos disse que deveríamos vigiar e orar para não cairmos em tentação (Mt 26.41).

O QUE É TENTAÇÃO?
A tentação é um estímulo ou indução a um ato que pareça atraente, ainda que seja inapropriado ou contradiga alguma norma ou convenção social sendo, consequentemente, proibido. A definição de tentação pode ser aplicada a uma ampla gama de ações, por exemplo, o desrespeito a uma restrição alimentar, a trapaça, a ostentação de artigos de luxo, a procrastinação.
Tentação é o esforço do diabo para tentar persuadir, seduzir, e induzir alguém a fazer especialmente algo sensualmente agradável ou imoral. É aquela voz dentro da gente que diz: “Vá em frente, fulano, nada vai acontecer… Ninguém vai ficar sabendo não”. 

A TENTAÇÃO DE JESUS É O MODELO DA TENTAÇÃO DO CRENTE
A partir da tentação de Jesus podemos compreender o que significa a tentação para nós. Há na Bíblia duas grandes histórias de tentação. No começo da história sagrada há a tentação dos nossos primeiros pais, Adão e Eva (Gn 3); mais adiante a narrativa da tentação de Jesus (Mt 4.1-11; Mc 1.12,13 e Lc 4.1-13).
– A primeira tentação trouxe como resultado a queda do homem.
– A segunda tentação trouxe a queda de Satanás.
Adão e Eva foram tentados no Jardim do Éden e caíram. Jesus foi tentado no deserto e triunfou, ou seja, ou Adão é tentado em nós, e nós caímos, ou Jesus é tentado em nós, e Satanás é quem cai.
A tentação de Jesus se repete, na verdade, o padrão da tentação dos nossos primeiros pais. Veja Gn 3.6; 1Jo 2.15,16 e Mt 4.1-11.
“Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu” (Gn 36).
“Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo”(1Jo 2.15,16).
Observem um detalhe: de Gênesis a Mateus há um intervalo de cerca de 1500 anos. De Mateus a primeira carta de João há um intervalo aproximadamente de 50 anos. Mas é impressionante que os conceitos são os mesmos, a matriz existencial é a mesma, a leitura que fazem do ser humano e a luta com as forças transcendentes é a mesma. Só o resultado que é diferente, pois Jesus venceu a tentação.
Não tenho dúvidas que o verdadeiro sentido da vida vai muito além das conquistas terrenas, da prosperidade material, da vazão aos instintos e apetites físicos, da realização e experimentação do prazer sensual. O verdadeiro sentido da vida está na Pessoa de Deus. Em 1Jo 2.17 lemos:
“Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente”.
– Uma vez perguntaram a Confúcio: “O que mais o surpreende na humanidade?” E ele respondeu: “Os homens que perderam a saúde para juntar dinheiro e depois perderam o dinheiro para recuperar a saúde. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecerem o presente, de tal maneira que acabaram nem vivendo o presente e nem o futuro. Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido”.

Analisemos a tentação de Jesus.

PRIMEIRO, FOI O ESPÍRITO SANTO QUE LEVOU JESUS AO DESERTO (MT 4.1).
Mateus deixa claro que foi o próprio Espírito Santo que o levou ao deserto para ser tentado. Não partiu de Satanás tal atitude. Jesus não foi guiado ao deserto por uma força maligna, mas foi conduzido pelo Espírito Santo. Foi pela expressa vontade de Deus que esta crise se produziu na vida de Jesus. Não é que o Senhor queria ver se Jesus cairia ou não, mas uma demonstração da impossibilidade da Sua queda.
À semelhança de Adão, Jesus foi tentado, com uma diferença: Adão foi tentado no Jardim do Éden e caiu, Jesus foi tentado no deserto e venceu a Satanás.

SEGUNDO, O TEMPO QUE O SENHOR ESTEVE NO DESERTO (MT 4.1,2).
O evangelista Mateus nos diz que o Senhor foi levado ao deserto para ser tentado e depois de 40 dias e 40 noites teve fome. O deserto é um lugar desconfortável, severo e agressivo. Era o deserto de Jericó, um lugar ermo, cheio de montanhas e cavernas, de areia escaldante durante o dia e frio intenso durante a noite. O deserto era lugar de solidão. Os grandes homens caíram não em lugares ou momentos públicos, mas na arena da solidão e nos bastidores dos lugares secretos. O deserto é o lugar das maiores provas e também das maiores vitórias. O deserto é o campo de treinamento de Deus.
O texto nos diz que o Senhor esteve no deserto por 40 dias e 40 noites. O número 40 é o número da provação. Quarenta dias durou o dilúvio (Gn 7.12), o jejum de Moisés no Sinai (Êx 34.28), a caminhada de Elias até o Horebe (1Rs 19.8). Quarenta anos Israel permaneceu no deserto (Sl 95.10). Israel esteve 400 anos no Egito, isso é 40×10. Quarenta dias e quarenta noites Jesus foi tentado por Satanás no deserto. Em Marcos 1.12,13 nos diz assim:
“E logo o Espírito o impeliu para o deserto, onde permaneceu quarenta dias, sendo tentado por Satanás; estava com as feras, mas os anjos o serviam”. 
Jesus foi tentado durante quarenta dias, o tempo todo.

TERCEIRO, O PROPÓSITO DE JESUS SER TENTADO.
Por que o Espírito Santo impeliu Jesus ao deserto para ser tentado? Qual era o propósito?
O texto começa dizendo “A seguir” – ou seja, após o batismo de Jesus foi levado ao deserto para ser tentado. Há uma relação íntima entre o batismo e a tentação. No primeiro Jesus se dedicou ao caminho da cruz. Já no segundo, o diabo lhe apresentou meios pelos quais Ele podia efetuar seu ministério sem precisar ir à cruz.

Em primeiro lugar, Jesus foi tentado para provar a sua perfeita humanidade. A Bíblia nos fala que o Filho de Deus encarnou, ou seja, tornou-se como um de nós. Jesus foi 100% homem e 100% Deus. Mas quem foi tentado foi Jesus homem e não Jesus Deus. Porque o homem é tentado, mas a Deus ninguém tenta. Veja o que nos diz Tiago 1.13:
“Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta”.
A Bíblia também nos diz que Jesus tornou-se semelhante a nós em todas as coisas, exceto no pecado. Conf. com Hb 4.15:
“Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado”.
Jesus passou por tudo isso para nos mostrar que em tudo Ele foi tentado, mas não para nos mostrar que podemos ficar sem pecar. Pelo contrário, Ele conhece as nossas fraquezas e se comparece de nós, mesmo que venhamos a pecar. Aliás, tanto o texto de Hebreus 4.15, quanto 1Jo 1.7-10, 2.1,2 que nos diz:
“Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado. Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós. Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro”.

Em segundo lugar, Jesus foi tentado para vencer o diabo. Hernandes Dias Lopes nos diz que lutamos com um inimigo derrotado. O evangelista Marcos nos diz que o Senhor Jesus venceu Satanás o amarrando e roubando-lhe os seus bens. Veja o que ele nos diz:
“Ninguém pode entrar na casa do valente para roubar-lhe os bens, sem primeiro amarrá-lo; e só então lhe saqueará a casa”. (Mc 3.27)
Isso é o Senhor tirou de Satanás o domínio que ele tinha nessa terra. Jesus está libertando aqueles que estavam sob o seu domínio e os transportando para o Seu Reino. Paulo escrevendo aos Colossenses nos diz assim:
“Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados” (Cl 1.13,14).
Jesus venceu Satanás no deserto, triunfou sobre todas as suas investidas. Esmagou sua cabeça na cruz, triunfou sobre ele definitivamente. Satanás é um inimigo limitado e está debaixo da autoridade absoluta de Jesus.
“Tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz”(Cl 2.14,15).

QUARTO, AS OFERTAS DE SATANÁS.
A Bíblia nos diz que Satanás tentou Jesus os quarenta dias. Quando lemos o texto aqui em Mateus a impressão que temos que o tentador só o tentou no final, mas não foi assim que ocorreu. Há dois textos que nos mostram isso:
“E logo o Espírito o impeliu para o deserto, onde permaneceu quarenta dias, sendo tentado por Satanás; estava com as feras, mas os anjos o serviam” (Mc 1.12,13).
“Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi guiado pelo mesmo Espírito, no deserto, durante quarenta dias, sendo tentado pelo diabo. Nada comeu naqueles dias, ao fim dos quais teve fome” (Lc 4.1,2).
Satanás é um ser oportunista. Ele é como um vírus oportunista que ataca quando a nossa imunidade está baixa. Se a nossa imunidade espiritual estiver baixa ele irá atacar com todas as forças, embora ele ataque todos os dias, mas se a nossa imunidade espiritual estiver baixa ele irá triunfar sobre nós. Temos como exemplo Davi que caiu em adultério. Era tempo de guerra e ele estava em casa. O resto você já conhece.
Vamos analisar a tentação de Jesus:

1ª – A primeira tentação foi de ordem física (Mt 4.2-4) 
Depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites na solidão do deserto, embora Marcos nos diga que Jesus estava com as feras – naquele deserto havia hienas, lobos, serpentes, chacais, panteras e leões. Era um lugar de abandono, mas também de grande perigo.
Depois de quarenta dias de jejum Jesus estava com seu corpo totalmente debilitado. Nesse período Jesus jejuou e orou incessantemente – o Espírito estava pronto, mas a carne estava para entrar em tentação. A fome castigava seu estômago. É nessa oportunidade que Satanás se aproxima e lhe diz: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães”. Satanás propôs a Jesus usar seu poder para satisfazer sua necessidade, ou seja, fazer uma coisa boa de modo errado: mitigar a fome atendendo a voz do diabo.
Aprenda uma coisa meu irmão: ainda que o diabo lhe dê um conselho aparentemente bom, não dê ouvidos a ele, pois o que procede dele nada presta. Nem o testemunho dele em relação a Jesus o Senhor aceitou (Mc 3.11,12). Não foi dado a anjos proclamar a salvação e muito menos aos demônios (que são anjos caídos), mas aos homens. Até Paulo recusou tal testemunho (At 16.16-18).
Só que o intento de Satanás de levar Jesus transformar pedras em pães era maior que um apelo à fome. Havia a sugestão de evitar a cruz, tornando-se um reformador social popular. Isso quase ocorreu quando Jesus multiplicou os pães e os peixes em Jo 6. Mas veja o resultado da multiplicação e o que o Senhor Jesus fez:
“Vendo, pois, os homens o sinal que Jesus fizera, disseram: Este é, verdadeiramente, o profeta que devia vir ao mundo. Sabendo, pois, Jesus que estavam para vir com o intuito de arrebatá-lo para o proclamarem rei, retirou-se novamente, sozinho, para o monte” (Jo 6.14,15).
Não era e não é esse tipo de Reino que o Senhor veio estabelecer na terra, mas um reino espiritual. Mas quantas igrejas estão embarcando na Teologia da Missão Integral que na verdade é uma nova roupagem da Teologia da Libertação. É bom deixar claro que a Teologia da Missão Integral dialoga com o marxismo. E os que defendem essa teologia ainda dizem que é impossível dialogar com o mundo sem dialogar com o marxismo. O marxismo mudou a face do Ocidente por, pelo menos, setenta anos.
O tempo todo Satanás tentou impedir que o Senhor fosse até a cruz. E hoje tenta evitar que a mesma seja pregada também pela igreja.
Outra razão para essa tentação era tentar fazer Jesus não confiar na provisão do Pai. Mas a resposta de Jesus a Satanás foi contundente: “Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus”. O Senhor cita as Escrituras para rechaçar o tentador. Jesus cita o texto de Dt 8.3 mostrando para o diabo que a fome espiritual é muito maior que a fome física. Pois a fome física pode ser saciada em qualquer lugar, mas a fome de Deus só Ele pode saciar. E mais, assim como o Pai sustentou o seu povo no deserto com mana que caia do céu, da mesma forma o Senhor poderia vir ao seu encontro e saciar a Sua fome.
Assim como o Pai alimentou uma multidão no deserto, da mesma forma o Senhor iria alimentá-lo. O mesmo o Senhor tem feito conosco todos os dias. Em Mateus 6.25-30 Ele nos conforta dizendo que o Senhor nos dá o de comer, beber e vestir. E no verso 11 do capítulo 6 Ele nos ensina a orar dizendo: “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje”.
Quantas vezes Satanás tenta pôr em dúvida a bondade e a providência de Deus, abrindo-nos outras oportunidades para atender nossas necessidades imediatas.
Satanás fala a mesma coisa com cada um de nós muitas vezes, assim como falou com Jesus: “Se és Filho de Deus…”, aqui Satanás não está lançando dúvidas ao coração de Jesus, mas está dizendo: “Já que você é o Filho encarnado do Deus Altíssimo” você tem autoridade para transformar pedras em pães. O mesmo o diabo fala com cada um de nós: “Já que você é filho de Deus” porque está passando por essa luta, por essa enfermidade, por esse problema familiar. Mas aí que entra a nossa confiança de que o Senhor há de intervir em nossa vida sem precisarmos buscar os conselhos tortos do diabo. Isso é crer na providência de Deus.

2ª – A segunda tentação é de ordem espiritual e psicológica (Orgulho) (Mt 4.5-7)
Esta segunda tentação está ligada a primeira, pois Jesus disse que confiava plenamente no Pai, então Satanás habilmente usa a própria palavra de Deus contra Jesus para tentar induzi-lo a se jogar do pináculo do templo para que o Pai o amparasse. E para isso ele cita o Salmo 91.12. Satanás sugere a Jesus a provar a Sua fé em Deus, submetendo Sua promessa a um teste, isso não passava de um grande sofisma.
SOFISMA – Argumento falso intencionalmente feito para induzir outrem ao erro.
Isso gera fanatismo.
Quero ilustrar isso lhe contando um caso que ocorreu em uma igreja nos Estados Unidos:
Uma grande igreja na região rural de Indiana, nos Estados Unidos, tinha uma triste fama, devido ao seu fanatismo.
Os membros dessa igreja criam que a fé pura podia curar qualquer doença e que buscar ajuda em qualquer outro lugar ou pessoa – por exemplo, de médicos – demonstrava uma falta de fé em Deus. Os artigos de jornais mencionaram pais que, atônitos, observavam seus filhos travarem batalhas perdidas contra a meningite, ou pneumonia, ou vírus comum da gripe – enfermidades que facilmente poderiam ser tratadas.
Um artista de um jornal desenhou pequenas lápides de túmulos para assinalar os locais onde pessoas haviam morrido depois de se recusarem tratamento médico, em obediência ao ensino da igreja. Havia 52 lápides ao todo.
De acordo com as reportagens, mulheres grávidas que seguiam o ensino da igreja morriam ao dar luz numa proporção oito vezes maior do que a média nacional, e a taxa de mortalidade infantil era três vezes maior. Apesar disso, a igreja estava crescendo e tinha se estabelecido em dezenove Estados e em outros cinco países.
Um pai contou a um jornal da sua vigília de oração enquanto observava seu filho de quinze meses de idade lutar contra uma febre durante duas semanas. A doença inicialmente provocou surdez, depois cegueira. O pastor da igreja conclamou ainda mais fé e persuadiu o pai a não chamar um médico. No dia seguinte, o menino estava morto. A autópsia revelou que ele morrera de uma forma de meningite facilmente tratável.
Satanás sempre usará de sofisma contra nós. Mas veja o que o apóstolo Paulo nos fala em 2Co 10.4,5: “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus”.

O fanatismo leva as pessoas a se decepcionarem com Deus.
Por isso Jesus falou: “Não tentarás o Senhor teu Deus”. Jesus rebate o sofisma de Satanás usando de outro texto não fora de contexto, mas de forma correta. Jesus fala do que os Israelitas fizeram tentando o Senhor em Massá (Êx 17.6, Dt 6.16), pois quando faltou água eles começaram a perguntar se o Senhor estava no meio deles (Êx 17.7).
O Senhor Jesus dá a Satanás uma resposta simples e objetiva: “O Senhor nunca desampara o Seu povo”. Não há necessidade de provar se o Senhor está ou não conosco, se Ele prometeu Ele irá cumprir as Suas promessas. Não precisamos tentar a Deus para obrigá-Lo a evitar um desastre.
Um bom exemplo disso é quando Jesus ressuscita a filha de Jairo, diz para eles darem de comer para ela. A menina morreu porque não comia então dá-lhe de comer para que não morra novamente, em outra palavras foi isso que Jesus disse. Não precisamos forçar o milagre. Deus não ficará enciumado se andarmos com precaução, com cuidado, sem tentá-Lo.

SATANÁS GOSTA DE ESPETÁCULO
A intenção de Satanás era fazer Jesus não ir até a cruz, nunca se esqueça disso. Aqui ele tenta seduzir Jesus a ter uma entrada triunfal no Seu ministério. Jesus é tentado a pular do pináculo do templo com as multidões reunidas no pátio abaixo, provavelmente à hora do sacrifício da tarde – um salto que no caso de qualquer outro que o tentasse seria suicídio. Mas Satanás diz que se Jesus fizesse tal coisa os seus anjos o guardariam. Assim Ele seria o astro da levitação, o Deus todo poderoso entrando no ministério de forma espetacular.
Com isso Satanás estava tentando fazer Jesus fugir do caminho da cruz pela desobediência à sua vocação de Servo Sofredor, desprezado e rejeitado pelos homens sobre quem recairia a iniquidade de todos nós. A doutrina de Satanás é que os fins justificam os meios, ou seja, que, uma vez obtida a soberania universal no final, não importava como ela houvesse sido atingida.
Mas o nosso Deus não gosta de aplausos! Ou seja, Ele não precisa fazer show para ser reconhecido como Deus.

3ª – A terceira tentação é de ordem religiosa – apostasia (Mt 4.8-10).
A terceira tentação foi a apostasia. A isca é o desejo de poder. Poder total sobre um mundo que jaz no maligno. Jesus é convidado a fazer um acordo com o maligno, para que Ele, Jesus, reinasse por meio de intrigas, de guerras, através do mal. Mas Jesus não veio para estabelecer um reino terreno como muitos pensam; mas estabelecer o Reino de Deus dentro do coração dos homens.
Satanás sabendo que Jesus estava focado no Reino de Deus, então lhe oferece um reino sem cruz, desde que Jesus o adorasse. Assim o Reino de Deus seria estabelecido sem trabalho ou lágrimas, nem risco de vida, sob a simples condição de que Jesus lhe prestasse reverência.
Satanás estava dizendo para Jesus que o Reino de Deus deveria ser imposto com armas diabólicas da crueldade, impiedade e poder, dominando as pessoas, ao invés de conquistar homens e mulheres através do sacrifício remidor na cruz. Mas acontece que o Reino de Deus nunca será estabelecido por meios satânicos.
Essa oferta tem sido oferecida até hoje para muitas pessoas, e, infelizmente, muitos tem aceitado. Observe quantas guerras religiosas temos contemplado em nosso meio. Igrejas contra igrejas, pastores contra pastores, irmãos contra irmãos. Cada um querendo estabelecer o seu próprio reino e não o Reino de Deus. Com essas atitudes quem tem sido adorado é o próprio Satanás. Em muitos púlpitos ele está sentado e sendo adorado como deus.
Quantos pastores orando por avivamento, mas avivamento para sua igreja e não para a igreja do “concorrente”. Querem a sua igreja cheia, ainda que seja com pessoas vazias do Espírito Santo. Para alguns o importante é o movimento.

A RESPOSTA DE JESUS
Veja o que o Senhor disse a Satanás diante dessa proposta imoral: “Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto” (Dt 6.13). O Senhor cita mais uma vez as Escrituras Sagradas com intrepidez. Ele não se deixa levar, mais uma vez, pela proposta imoral do diabo.
Satanás quer dizer “Adversário”, e é exatamente isso que ele é; ele é o adversário direto do nosso Deus e nosso também. Ele sempre irá tentar “facilitar” as coisas para nós. Para isso o preço é muito alto, é o preço da APOSTASIA. E quantos estão se apostatando da fé para poderem ter o seu próprio reino. E por ele dão a própria vida. Por Deus não, mas pelo reino pessoal vão até o fim.
Com essa palavra de Jesus Satanás o deixou, mas como nos fala em Lucas 4.13: “Até momento oportuno”, ou seja, Satanás não desistiu, mas foi até a cruz tentando o Senhor. Se ele fez isso com o próprio Deus encarnado quanto mais fará com cada um de nós. Como disse Pedro em sua primeira carta:
“Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão-se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo” (1Pe 5.8,9).
Pedro falou do que conhecia muito bem, pois na noite em que Jesus foi preso ele negou o Seu Mestre três vezes. Pedro foi tragado pelo medo, pela covardia e pelo rugido de Satanás. Pedro cedeu à tentação, mas Ele foi resgatado pelo Senhor e restituído no ministério. Por isso ele nos alerta para termos cuidado, “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (1Co 10.12).

QUINTO, A VITÓRIA SOBRE A TENTAÇÃO.
Ninguém está livre da tentação, mas de resisti-la sim. Tentação não é pecado, ceder a ela é. Veja nas próprias palavras de Tiago 1.13-15 essa realidade:
“Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte”.

A Bíblia nos diz que Jesus em tudo foi tentado, mas sem pecar. E como Ele venceu a tentação?
1º – A Bíblia nos diz que Jesus encarnou nas mesmas condições de Adão. Nele não havia a semente do pecado. Jesus tinha um caráter santo, e mesmo sendo tentado no deserto não cedeu a tentação.
2º – Porque Ele resistiu ao diabo firmemente. A própria Palavra nos ensina a fazer a mesma coisa: “Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4.7).
3º – Porque Ele conhecia e praticava a Palavra de Deus. O Salmo 128.1 nos diz: “Bem-aventurado aquele que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos!” Foi assim que o Senhor venceu a tentação, no temor do Senhor e andando em Seus caminhos. Só podemos trilhar o verdadeiro caminho conhecendo o caminho. E o caminho nos é mostrado em Sua Palavra, pois ela nos ensina como devemos andar e proceder em Sua presença.
Eva torceu a Palavra de Deus e o diabo também a torceu tentando levar Jesus à queda. Mas Jesus conhecia a palavra e não se deixou levar pelo engano de Satanás. Saiba de uma coisa meu irmão, o diabo é um péssimo exegeta. Como disse Hernandes Dias Lopes: “A Palavra de Deus na boca do diabo é palavra do diabo e não Palavra de Deus”.

CONCLUSÃO
Diante de tudo que foi falado creio que podemos concluir dizendo algo prático e extremamente importante: “Todos nós devemos esperar tempos de provas”. Se Satanás não desistiu de Jesus, ele também não desistirá de nenhum de nós. Por isso devemos vigiar e orar o tempo todo e em todo tempo. Ele é um ser maligno e perseverante. Sempre haverá suas investidas, não pense que ele se afasta e não volta. O apóstolo Paulo nos deixou isso bem claro quando escreveu a sua carta aos Efésios 6.10-13. Veja como ele nos alerta:
“Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis”.
Mas nós temos um grande conforto, Deus sempre está ao nosso lado. Ele nunca nos abandona. Aliás, o Senhor nos diz também que “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar” (1Co 10.13).
O texto de Mateus termina dizendo que “com isso, o deixou o diabo, e eis que vieram anjos e o serviram”. Lute até o fim, não esmoreça. Não ceda a tentação. O Senhor também enviará o sustento para você e para mim também.

ESCRITO POR SILAS FIGUEIRA

domingo, 5 de julho de 2015

RETROCEDENDO

Nada pode fazer com que você deixe mais rapidamente o seu amor por Jesus do que retroceder em sua vida cristã. Isto acontece porque a vida com Cristo deve ser marcada por constantes avanços. Quando nossas vidas são marcadas por persistentes regressões espirituais, deixamos de ter intimidade com o Senhor. Esta perda de intimidade é conhecida como desvio.Todas as vezes que vê um cristão com um estilo de vida pecaminoso, quando observa um cristão perdendo o sentido de sua vida e falhando em sua fé (como Himeneu e Alexandre, veja 1 Timóteo 1:19,20), você sabe que isso não aconteceu da noite para o dia. Havia um desvio predominante nas atitudes dessa pessoa.O cristão que ignora os sinais DE ALERTA e continua indo em frente está pedindo para que aconteça um desastre.Vamos utilizar o livro de Hebreus como fonte bíblica e guia para esta parte de nosso estudo. Os crentes para quem o autor de Hebreus escreve estavam “desviados” do caminho. Eles precisavam de uma sinalização.

O SINAL DA NEGLIGÊNCIA

O primeiro sinal de alerta que vejo na estrada da regressão espiritual se encontra em Hebreus 2:2,3:
Pois se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda violação e desobediência recebeu justa retribuição, como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?
Os cristãos que estão regredindo espiritualmente são caracterizados pela negligência nos assuntos espirituais.

A desobediência passiva

Negligência simplesmente denota falta de interesse. Não significa que você esteja fazendo tudo errado, mas, sim, que está fazendo poucas coisas certas. Na desobediência passiva, você está prejudicando sua vida porque não está fazendo as coisas necessárias para avançar em sua caminhada espiritual.
Se você é um estudante, não é necessário xingar o professor ou fazer bagunça na sala de aula para ser reprovado. Tudo o que deve fazer para ser reprovado é simplesmente não estudar. Isso é chamado de reprovação passiva. Se as suas notas não forem boas o suficiente, você será reprovado, mesmo que tenha sido bonzinho durante o ano.
Algumas pessoas estão com a saúde prejudicada não por terem feito coisas destrutivas para seus corpos. Elas apenas negligenciaram a manutenção de seus corpos e perderam a saúde.

Tomando as coisas por certo

Alguns cristãos começam a regredir espiritualmente porque Satanás os fez se afastarem gradualmente da Palavra. Eles não cometeram nenhum pecado grave. O diabo somente fez o suficiente para impedir que eles se coloquem de joelhos. A especialidade do inimigo é levar as pessoas a negligenciar as coisas de Deus.
O primeiro sinal de alerta que indica que você está na estrada errada e que deve parar e fazer um retorno é o alerta da negligência. O autor de Hebreus coloca no versículo 3 que não escaparemos se negligenciarmos nossa salvação. Existe um preço a ser pago: a disciplina de Deus (Hebreus 12). Se a sua vida cristã e o seu amor por Cristo estão sofrendo com a negligência, você deve arrepender-se e retornar ao caminho correto.

O SINAL DA INSENSIBILIDADE ESPIRITUAL

Os sinais de alerta que estamos estudando em Hebreus são tão fortes que você pode perguntar se aquelas pessoas eram realmente crentes. Não creio que existam dúvidas sobre isso. O escritor os chama, no capítulo 3:1, de “irmãos santos”. O livro de Hebreus foi escrito para cristãos que estavam caminhando na estrada errada.
Com isso em mente, vamos considerar o sinal de alerta para a insensibilidade espiritual:
Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo. Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vocês se endureça pelo engano do pecado (Hebreus 3:12-13).

Corações duros

Um coração descrente é um coração mau, porque dúvida das coisas de Deus e isso abre a porta para o inimigo. Em vez de nos voltarmos para Deus, começamos a nos voltar contra Ele.
No versículo 8 o autor diz: “Não endureçais os vossos corações, como no dia da tentação no deserto”. Ele está dizendo: “Se você quiser compreender o que quero dizer, simplesmente olhe para Israel no deserto”. Durante os anos em que vagaram no deserto, os israelitas provocaram a Deus repetitivamente devido à sua descrença.
Deus fazia com que a rocha dessa água e eles se preocupavam sobre quando teriam água novamente. Ele os alimentava com “comida” dos céus e eles já perguntavam de onde viria a próxima refeição.
A maior provocação aconteceu quando eles estavam para entrar na terra que Deus iria dar para eles. Eles olharam ao seu redor e disseram: “Não podemos entrar”. Eles provocaram a Deus e neste processo fizeram com que os seus corações se endurecessem.

Os truques do pecado

      Uma das razões de muitos atravessarem períodos difíceis é que pararam de crer em Deus e começaram a acreditar no pecado.
Conheço alguns jovens que estão na cadeia porque pararam de acreditar em seu pai e sua mãe e começaram a acreditar em seus amigos. Se tivessem escutado seus pais, agora eles estariam bem e livres!
Quando o mal não o sensibiliza mais, não o aborrece e não o comove, quando você se acostuma com o mal e já não sente o coração doer por causa dele, alguma coisa está errada.
O pecado, entretanto, trabalha como um pica-pau. As bicadas individuais podem não parecer tão danosas, mas, quando o trabalho acaba, você tem um buraco na árvore. Deus quer que você e eu lutemos contra o engano do pecado.
Eles começam sua vida cristã pensando de uma forma. Não demora muito e estão assistindo a coisas na televisão que não deveriam assistir e frequentando lugares onde não deveriam estar.
Os seus pais e avós provavelmente lhe disseram quando você estava crescendo: “O pecado tem sempre suas consequências”. O pecado é como um bumerangue, que sempre volta para você. Quanto mais espiritual você for, mais sensível torna-se ao pecado. Quando você peca, dói. O pecado faz com que seu coração sofra.
O ar numa sala é aparentemente puro até que o sol brilhe pela janela. Aí você vê as partículas de poeira flutuando. Se a luz de Cristo não está brilhando em sua vida, você pensa que está vivendo em uma sala sem poeira. Você não percebe o pó que está ao seu redor. Entretanto, se a luz de Cristo brilha em sua vida, você se torna bastante sensível à poeira do pecado.

O SINAL DA RECUSA

Lembro que o autor está falando para crentes, uma vez que em Hebreus 5:12 ele faz uma comparação entre os bebês espirituais e as pessoas espiritualmente maduras. Esta declaração seria irrelevante se ele estivesse escrevendo para não-crentes.
Precisamos começar no versículo 11 para alcançar o contexto do que o escritor está dizendo aos hebreus:
A esse respeito temos muito que dizer, mas de difícil interpretação, porque vos tomastes tardios em ouvir. Com efeito, devendo já ser mestres, por causa do tempo decorrido, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar os princípios elementares dos oráculos de Deus, e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de alimento sólido (Hebreus 5:11-12).

Tardios em ouvir

O autor reconhece que está escrevendo para uma geração de crianças. Eles não entendiam o que ele queria falar. Por quê? Porque eles ainda não haviam crescido. Eles se recusavam a crescer. Eles estavam literalmente recusando a salvação que tinham.
Esses cristãos hebreus estavam dizendo: “Não precisamos saber essas coisas. Não precisamos entender isso. Não precisamos estudar esse assunto”. Eles se haviam tornado rebeldes contra Deus por vontade própria.
O autor diz em Hebreus 5:11 que o que ele tem a falar é difícil de ser explicado, mas não porque ele não possa tornar o assunto compreensível. Os seus leitores, contudo, tomaram-se “tardios em ouvir”. Note que ele não disse “vocês são tardios em ouvir”, mas, sim, “vocês se tomaram tardios em ouvir”.
Em outras palavras, os hebreus regrediram espiritualmente. Houve uma época em que estavam progredindo, mas agora eles necessitavam retomar ao caminho correto. O autor diz que eles se tornaram como mulas, que é o significado da palavra grega traduzida por “tardio”. O sentido da palavra é “com dificuldade de percepção”, neste exemplo, causado por relaxamento moral.
Alguns sermões devem fazê-lo chorar. Outros devem fazer você sentir culpa ou se envergonhar de algo que deve ser acertado em sua vida. Coisas assim acontecem quando você está comendo a carne da Palavra de Deus. Muitos cristãos estão satisfeitos com o leite porque é o único alimento que provaram até hoje.

Um teste simples

Você se pergunta: “Como posso saber se estou tomando leite ou comendo came? Como posso saber se estou progredindo ou regredindo? ”. Um teste simples é perguntar a si mesmo se o seu entendimento da fé cristã ainda tem Jesus Cristo como o seu primeiro amor. Em outras palavras, você está-se alimentando e digerindo o material sólido da Palavra de Deus, ou você só consegue digerir leite?
No versículo 12 o autor fala a seus leitores que, pelo tempo que conheciam o evangelho, eles já deviam estar ensinando a outras pessoas as profundas verdades das Escrituras, em vez de ainda aprenderem o á-bê-cê espiritual. Ele disse isso por pelo menos duas razões.
A primeira é o tempo. É obvio que os hebreus já eram cristãos por tempo suficiente para serem maduros. Eles já poderiam ter alcançado a idade espiritual para comer comida sólida.
Porém, o passar do tempo, por si só, não é suficiente. A segunda razão se encontra no versículo 14: “Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as faculdades exercitadas para discernir tanto o bem como o mal”. Os hebreus tiveram bastante tempo de ir para a academia exercitar-se. Eles tiveram bastante tempo para suar no desenvolvimento das coisas espirituais.
E necessário que haja um esforço para levar em frente o crescimento espiritual tanto em conhecimento como em percepção.
Voltemos ao teste. Se você pode abrir a sua Bíblia e explicar a verdade de
Deus para outra pessoa, certamente é um cristão acostumado à carne espiritual. Se você pode levar alguém a conhecer a Jesus com a sua Bíblia aberta no livro de Romanos, é cristão acostumado com a dieta da Palavra de Deus.
Mas se você, como marido, não pode explicar à sua mulher as dúvidas que ela tem sobre a Bíblia; se você, como pai, não pode responder às perguntas dos seus filhos; se tudo o que você pode dizer é “pergunte ao seu professor da escola dominical” ou “como é que eu vou saber isso? Eu não fiz seminário! ”, essas atitudes indicam que você é um cristão que só pode tolerar uma dieta láctea.
Esse é o teste. Se você não pode ajudar ninguém mais a compreender a
Palavra de Deus, você é um “santo de meia tigela”. Você só vai sobreviver à medida que continuar ingerindo leite.

Ou se usa ou se perde

Se você ouvir a Palavra de Deus, mas nunca a praticar, mais cedo ou mais tarde vai esquecer o que aprendeu. Você vai ouvir uma passagem e vai pensar que nunca a estudou. Você vai ficar curioso se já aprendeu algo sobre aquele texto antes, mas já esqueceu tudo sobre ele.
Por outro lado, o que você usa, você não perde. A ideia de “sair do leite” para começar a “comer alimento sólido” e aprender aquilo que você precisa aprender é usar o que aprende, para que você não esqueça os ensinamentos.
Ninguém pode escolher por você. Progredir ou regredir na vida espiritual é uma opção exclusivamente sua.

O SINAL DO ABANDONO

Para entender melhor um dos sinais de alerta na estrada de regressão espiritual e mais um dos sinais da perda do primeiro amor, vamos ler Hebreus 10:23-25:
Guardemos firme a confissão da nossa esperança, pois fiel é aquele que fez a promessa. Consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixando de congregar-nos, como é costume de alguns, mas admoestemo-nos uns aos outros, e tanto mais quanto vedes que se vai aproximando aquele dia.
Estes avisos são para os cristãos, pois os não-crentes não precisam permanecer fiéis a nada. Você não diz para os não-crentes que continuem a se congregar, porque eles não têm nenhuma razão para isso.

A igreja não tem importância

Outro sinal de alerta que indica que você está na estrada errada é quando a igreja não merece mais o seu interesse e consideração. Você simplesmente não sente necessidade de estar na casa do Senhor. Isso acontece quando você ouve alguém dizer; — Não preciso ir à igreja para ser um crente.
A Bíblia ensina que, para o crente ser o que Deus quer que seja, ele precisa de uma comunhão dinâmica, uma motivação dinâmica e uma inspiração também dinâmica junto com o povo de Deus. Não somente precisamos disso, mas também devemos proporcionar essa qualidade de relacionamento aos outros crentes.
Nossa missão como membros do corpo de Cristo é estimular uns aos outros a praticar o amor e as boas obras (v. 24). O seu papel não é somente ser abençoado. A sua obrigação é também ser uma bênção para os outros.

A bênção do corpo

Um fogo não dura muito se você só tem um pedaço de madeira queimando.
Deus o salvou para que você fosse parte de seu corpo. Assim como o dedo não pode funcionar sem a mão, a mão não pode funcionar sem o pulso, o pulso não pode funcionar sem o braço, o braço não pode funcionar sem o ombro e o ombro não pode funcionar sem o corpo, você não pode ser o que Deus quer que seja, se estiver sozinho.

O SINAL DA REJEIÇÃO

Um cristão que fica por muito tempo na estrada errada, ignorando os sinais de alerta, vai acabar se desviando. Ele vai acabar caindo da fé, negando Cristo e, finalmente, cometendo os mesmos tipos de pecados cometidos por um não-crente.
Pode um cristão regredir tanto assim? Pode um crente tornar-se tão mau? Com toda certeza! Cabe a Deus julgar o filho rebelde. Ele certamente irá intervir numa situação assim, pois não vai ignorar o desvio de um de seus filhos. O preço cobrado é enorme: todos os tipos de sofrimentos e problemas e finalmente a morte, se a pessoa avançar muito na estrada errada.

Além do ponto

Este assunto é muito sério. Observe Hebreus 10:26: “Se voluntariamente continuarmos no pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados”.
Esta não é uma passagem agradável. Se um cristão continua pecando, mesmo tendo sido advertido por diversas vezes, então nem mesmo o sangue de Jesus pode proteger aquele cristão da severa disciplina de Deus.

“Bastai”

A situação de um crente que ignora os sinais de alerta da rejeição é muito séria. Hebreus 10:26 dá um alerta claro e se toma ainda mais incisivo no versículo seguinte: “mas certa expectação horrível de juízo e ardor de fogo que há de devorar os adversários” (Hebreus 10:27).
Se conhecemos a verdade, mas, ainda assim, continuamos no caminho errado. Deus vai dizer: “Basta! ”. Não sei quando Ele vai dizer isso, pois não tenho acesso a esse tipo de informação, mas sei que vai chegar a hora em que Ele vai dizer: “Basta! ”.
Você pode dizer:
— Vou fazer o que quero, aconteça o que acontecer. Vou agir da maneira que gosto de agir. Não estou nem aí para o que Deus quer, nem ligo para o que a igreja fala. Eu não me importo com o que pensam de mim.
Certamente os versículos 30 e 31 estarão escritos no seu epitáfio:
Pois conhecemos aquele que disse: Minha é a vingança, eu retribuirei. E outra vez: o Senhor julgará o seu povo. Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo.
Esta é a ideia colocada nesse texto. A vida cristã não é um jogo, mas muitos cristãos estão brincando com Deus.

CONSIDERANDO OS SINAIS

Muitos de nós estamos atravessando crises sérias porque Deus está zangado. Nossa alegria, paz, poder, finanças, casamento, vida pessoal e estabilidade da mente estão indo de mal a pior porque estamos na estrada errada.


TRECHOS DO LIVRO DE VOLTA AO PRIMEIRO AMOR DE TONY EVANS

sexta-feira, 26 de junho de 2015

SUFOCANDO A PALAVRA



Vamos falar sobre “atos do coração”, atitudes e ações que podem causar o afastamento do nosso primeiro amor por Jesus Cristo.
Vamos observar as palavras do próprio Jesus em Lucas 8, onde Ele conta uma história que usa o conhecido para explicar o desconhecido. Nos dias de Jesus a semeadura era feita manualmente. O fazendeiro colocava suas sementes numa bolsa e a pendurava no pescoço de um burro. Ele levava o burro para a área em que ia plantar, enfiava a mão na bolsa cheia de sementes e as lançava na terra. 

As sementes caíam por todas as partes. A ideia era saturar a terra com sementes para que o semeador tivesse pelo menos algumas sementes fecundadas. Este é basicamente o quadro que Jesus está tentando pintar na mente das pessoas. Ele disse que o semeador saiu para semear as suas sementes, as quais caíram em quatro tipos de solos diferentes.

Os solos

 

Uma parte das sementes caiu ao lado da estrada, onde “foi pisada, e as aves do céu a comeram” (v. 5). A semente nem conseguiu germinar. Ela caiu dentre os dedos do semeador. Ele pisou nela e ela ficou presa em sua sandália. Quando ele andou um pouco mais, a semente caiu de suas sandálias. Os pássaros a viram, e a comeram.
Outras sementes caíram em solo rochoso (v. 6). Este solo era raso, cheio de pedras e rochas. Como resultado, a semente cresceu, mas acabou secando porque não havia umidade. Ela não conseguiu aprofundar suas raízes para sugar a umidade do solo a fim de desenvolver-se. O solo não podia sustentar a vida daquela semente.
Jesus continuou: “outra caiu entre espinhos e, crescendo com ela os espinhos, a sufocaram” (v. 7). Evidentemente os espinhos cresceram mais rápido e eram mais fortes que a planta, e havia tantos espinhos que sufocaram a planta até que ela morresse.
Finalmente Jesus disse que “outra caiu em boa terra e, nascida, produziu fruto, a cento por um” (v. 8). Este solo tinha o equilíbrio correto. Ele era rico em nutrientes e produziu o resultado desejado.
Jesus terminou a parábola com o seguinte desafio; “quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (v. 8).
O Senhor sabe que temos dois ouvidos, mas também sabe que é possível tê-los e, ainda assim, não conseguir ouvir. O que Ele está dizendo é: “Preste bem atenção! ”. Quando um professor diz isso numa sala de aula, você sabe exatamente o que ele está querendo dizer. Ele está alertando: “E melhor você ter certeza de que está entendendo o que acabei de explicar, porque terá de responder isso na próxima prova”.

A questão

 

Qual a melhor coisa a fazer se você não entendeu o que o professor acabou de explicar? Você deve levantar a mão e pedir para ele explicar novamente. Foi o que os discípulos fizeram no v. 9: “Os seus discípulos perguntaram o que ele queria dizer com essa parábola”.
Em outras palavras, eles estavam dizendo: “Jesus, não entendemos o que você está falando. Um semeador saiu para semear. Entendemos isso, mas qual a lição para nós? ”. Jesus fez uma declaração espetacular antes de explicar o significado da parábola:
Ele lhes disse: A vós é dado conhecer os mistérios do reino de Deus, mas aos outros fala-se por parábolas, para que, vendo, não vejam e, ouvindo, não entendam (v. 10).
A multidão gostava de ouvir Jesus, mas ninguém nunca se aproximava para fazer a pergunta mais importante: “Jesus, o que o Senhor quer dizer? ”. As pessoas estavam satisfeitas somente com a informação, e não se importavam com a compreensão. Existe um princípio importante aqui: sua habilidade em perceber as verdades divinas está relacionada com o quanto você quer conhece-las. Se você está satisfeito com uma história aqui e outra ali, se lhe bastam sentimentos e experiências emocionais, você não vai compreender totalmente o que Deus tem para você em sua Palavra.
Isso é o que estava acontecendo nessa passagem. As pessoas gostavam de ouvir Jesus pregar, mas a maioria não amava ao Senhor, pelo menos não da maneira à qual estamo-nos referindo neste livro. Uma vez que Jesus não era o seu primeiro amor, sua Palavra não era a preocupação principal da multidão. Não basta ouvir um bom pregador, nem mesmo se for Jesus em pessoa. Nós precisamos ir além e perguntar: “Jesus, o que o Senhor quer dizer com isso? ”. Vamos começar a fazer isso agora.

A DIFICULDADE EM RESPONDER

 

Jesus começou a responder aos seus discípulos explicando a parábola:
Esta é a parábola: A semente é a palavra de Deus. Os que estão à beira do caminho são os que ouvem; depois vem o diabo, e tira-lhes do coração a palavra, para que não se salvem, crendo (w. 11,12).
Jesus disse que a primeira resposta à Palavra é ilustrada pela semente que caiu na beira da estrada. Ela nunca se enraizou no coração do indivíduo. Ela somente estava lá, jogada no caminho. O diabo, representado pelo pássaro que a tomou, veio e retirou a palavra do coração do indivíduo. Essa pessoa não pode deixar o seu primeiro amor por Cristo porque, na verdade, nunca o amou.

UMA RESPOSTA SUPERFICIAL

 

A próxima semente caiu num solo rochoso (v. 13), o solo superficial com pedras. Estes são aqueles que ouvem a palavra com alegria. Quando a Bíblia usa esta terminologia, sempre se refere à salvação (veja 1 Tessalonicenses 1:6 e Atos 17:11).
Nesse versículo Jesus não está mais falando de não-crentes. Ele agora está discorrendo sobre as maneiras diferentes pelas quais os cristãos respondem à Palavra. Estas pessoas a recebem com alegria, ou seja, são salvas. “Mas como não têm raiz, apenas creem por algum tempo, e na hora da provação se desviam”
(v. 13).
Estes são os crentes que verdadeiramente são salvos, mas que nunca desenvolvem sua fé. Eles permanecem espiritualmente fracos, como bebês na fé. Nunca se aprofundam nas coisas de Deus. Quando os problemas vêm e as provações os afetam, eles se afastam. Imediatamente negam o compromisso que fizeram de andar com Deus.

Não culpem a semente

 

Vamos deixar uma coisa bem clara. O que acontece não tem nada que ver com a semente. A Bíblia é suficientemente completa. Ela fala de si mesma:
“Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hebreus 4:12).
Portanto, a semente não possui deficiência. A Palavra de Deus é suficiente para erguer sua vida e tomá-la uma colheita de vitalidade espiritual, vitória, poder e tenacidade. Tiago nos exorta: “ ...recebei com mansidão a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar as vossas almas” (Tiago 1:21).
Jesus está dizendo que, ao receber a semente de sua Palavra, você tem tudo de que precisa para se tomar o que Deus quer que você seja. Mas o primeiro exemplo deste texto deixa claro que alguns cristãos não permitem que a semente crie raízes. A Palavra não se aprofunda no solo de seus corações.

Suas respostas às tribulações

 

Note que eu não disse que Deus envia as adversidades para que Ele possa saber se você é espiritual ou não. Ele já sabe o que você vai fazer. As provações acontecem para o seu benefício, para que você saiba se os seus “améns” na igreja são tão reais quanto você pensava que fossem quando os pronunciou.
Como ocorre no relacionamento conjugal, seu compromisso para com seu casamento não pode ser testado na lua-de-mel. E muito cedo. Ainda não houve tempo suficiente para que as coisas acontecessem.
Jesus disse que as pessoas sem raízes profundas tendem a cair quando as coisas apertam (Lucas 8:13). Em vez de cavarem mais fundo nas coisas de Deus para descobrirem como podem lidar com a tribulação e superar o problema, elas querem fugir da situação. Não querem ser identificadas como pertencentes a Cristo. O amor dessas pessoas por Jesus fica seriamente comprometido.
  E por isso que Paulo disse a seu pretenso companheiro de viagem João
Marcos: “Você não pode mais ir comigo porque abandonou o trabalho. Estou aqui arriscando minha vida e você vai acabar me deixando numa situação difícil. Você não pode vir comigo” (veja Atos 15:37-40).
Paulo estava dizendo que as raízes de Marcos não eram suficientemente profundas. Elas estavam no tipo errado de solo. Seu coração não estava totalmente compromissado com o Senhor. Ainda bem que, no caso de Marcos, houve uma segunda chance com Barnabé e ele se tornou um bom discípulo.

Você deve aprofundar-se

 

A salvação é gratuita, mas o discipulado é caro. Você pode ir para o céu sem nenhum esforço, por meio da cruz de Cristo. Mas é muito caro trazer o céu até você. Deus já lhe deu, sem nenhum custo, a vida eterna. Mas fazer com que a vida eterna esteja operando em sua vida exige um preço alto de amor e compromisso.
A diferença entre um cristão vitorioso e um cristão derrotado é que um permitiu que a raiz da Palavra fosse mais profunda dentro do solo de sua vida, enquanto o outro está vivendo com raízes superficiais e recusando-se a aprofunda-las. Deus não possui filhos prediletos. Ele está disponível para dar a todos o mesmo nível de vitória.
A única maneira de alcançar raízes mais profundas é ter o conhecimento e a aplicação da Palavra. Com uma pergunta já posso sinalizar se você tem ou não raízes profundas. Por acaso a única hora em que você pega a Bíblia é para ir à igreja no domingo?
Com certeza elas virão, como Jesus mesmo disse no v. 13. Ele falou sobre isso como um fato consumado, o que não significa que o cristão espiritual passe por tribulações e o cristão carnal as enfrente. Se você é crente, tem tribulações. O problema não é ter ou não tribulações. A sua resposta à Palavra de Deus é que determina se você sairá delas vitorioso ou derrotado.
Nenhum cristão pode viver permanentemente sendo derrotado. É verdade que você terá problemas e sofrerá reveses, mas, se você está sempre levando surra do mundo, da carne e do diabo, talvez o seu solo seja a raiz do problema. Um terreno rochoso não permite o aprofundamento das raízes.

Um firme alicerce

 

  Um crescimento permanente vem somente da aplicação da Palavra de Deus. Você não pode, contudo, aplicar aquilo que não conhece. Por isso Jesus nos disse: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (Lucas 8:8). A semente da Palavra de Deus está sendo espalhada, mas nem todos a recebem da mesma forma. Algumas pessoas a ignoram e pisam nela. Outros a recebem e deixam que ela cresça até certo ponto. Mas logo vêm os problemas e elas caem, porque as raízes não são profundas.
Você deve aprofundar-se antes que sobrevenham as tribulações. Quando os problemas chegam, já é tarde para aprofundar as raízes. Se você quer ser capaz de enfrentar as dificuldades da vida, deve primeiramente construir um alicerce forte.
Os alicerces não são bonitos. Qual foi a última vez em que você saiu em busca de alicerces? Você não sai por aí procurando um alicerce, você procura a casa pronta. Seu desejo é o de ver a casa, as janelas, o tamanho, o acabamento e os quartos.
Tudo isso não vale nada se o alicerce for feito sobre a areia. Uma casa, assim como você, precisa possuir uma base sólida. Você pode construir o que quiser sobre uma base firme. Os cristãos que são feitos de solo rochoso necessitam de raízes profundas e de um alicerce forte.

ESCOLHENDO O MUNDO EM VEZ DA PALAVRA

 

Em Lucas 8:14, Jesus começou a explicar aos seus discípulos o terceiro tipo de solo descrito em sua parábola:
A que caiu entre espinhos são os que ouviram e, com o passar dos dias, são sufocados com os cuidados, riquezas e deleites da vida, e seus frutos não chegam a amadurecer.
As pessoas às quais Jesus está-se referindo agora são um pouco mais maduras, são como adolescentes. Mas, ainda assim, suas atitudes em relação à Palavra de Deus são inadequadas.
Nós sabemos que eles cresceram um pouco porque deram algum fruto. O problema é que o fruto não amadureceu.
Este é o problema com as pessoas que Jesus descreveu no v. 14. Elas estavam produzindo algum fruto, mas eles não amadureceram. A razão deste crescimento entravado, segundo Jesus, é que estes cristãos estavam sendo sufocados.

Sufocando a si mesmo

 

Alguns cristãos não sabem administrar as suas prioridades. A vida espiritual deles está sempre embaraçada com coisas estranhas a ela.
Jesus está falando que o que pode sufocar um cristão são os cuidados, riquezas e deleites da vida. Você sabia que, quando permite que as riquezas, diversões e preocupações tomem-se o centro de sua vida, está cometendo suicídio espiritual? Jesus disse que isso “sufoca você”!
Muitos crentes estão sendo asfixiados espiritualmente. Eles dizem: “Não consigo respirar; sou um miserável e vivo constantemente deprimido; não consigo ter alegria na minha vida! ”. Isto ocorre porque todas as vezes que Deus tenta enviar algum ar fresco espiritual, o ar fica preso porque o crente está muito enraizado nas coisas deste mundo. Suas preocupações são o dinheiro e os prazeres. Como resultado disso, a bênção de Deus também é sufocada.

Não há nada de mal em tentar ser bem-sucedido. Jesus não está condenando todas as coisas que fazem nossa vida mais agradável.
O problema é que nós podemos ficar sufocados por essas preocupações. Isto acontece quando elas se tomam tão dominantes que nos agarram pelo pescoço e cortam o ar, tirando o nosso fôlego espiritual.

Os cuidados da vida

 

Este ponto é crucial em relação ao nosso amor por Cristo. Ouvi alguém dizer que o amor se soletra assim: T-E-M-P-O. Creio que isto seja verdade. Um homem não pode dizer a uma mulher que a ama e não passar tempo com ela, não descobrir as coisas que ela gosta, sobre o que ela pensa e como ele pode ir ao encontro de suas necessidades e satisfazer os seus desejos.
Não é de admirar que a Bíblia chame de adultério o fato de um crente apaixonar-se pelo mundo. Jesus Cristo deve ser o primeiro amor em nossos corações. A vida cristã é um caso amoroso com Jesus.
Jesus disse em Mateus 6:33: “Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”. Frequentemente queremos inverter este quadro: “Mas buscai primeiro estas coisas, e o reino de Deus vos será acrescentado”!
Todas as vezes que você escolhe colocar as questões desta vida à frente das perspectivas do reino, toda vez que o governo deste mundo (a palavra grega para reino significa regime ou autoridade) toma-se mais importante do que a autoridade do reino de Deus, você está sufocando sua vida espiritual.
Deixe-me sugerir algumas diretrizes bíblicas. Em 1 Timóteo 6:6, Paulo diz: “E grande fonte de lucro a piedade com o contentamento”.

Praticando a piedade

 

Se você não está sendo santo e praticando a piedade, não está servindo ao reino. Se você não está servindo ao reino, então Deus está contra você e você está morrendo sufocado. O primeiro teste é este: você está comprometendo a sua vida espiritual para alcançar determinados objetivos?

Experimentando o contentamento


O segundo teste de Paulo é este: você está contente onde está, mesmo que onde esteja não seja onde gostaria de estar? Você pode querer sempre fazer o seu melhor e possuir grandes alvos. Não há nada de errado nisso. Porém um compromisso com o Senhor significa que a sua alegria como filho de Deus, a sua paz de coração e mente e a sua felicidade estão intactas, não importando as circunstâncias em que você se encontre. Isto significa que você está em paz por dentro, enquanto espera que Deus faça a mudança no mundo exterior.
 Uma pessoa que está verdadeiramente contente pode dirigir um Audi
A4. Ouvi alguém dizer: “Eu também estaria contente se tivesse um A4”. Mas se esta pessoa perder o Audi e tiver de dirigir um Fusca, para ela vai estar tudo bem, porque em todos os casos ela ainda possui um meio de transporte.
Uma pessoa contente com o que tem pode ter uma casa grande. Mas se ela perde o seu trabalho e tem de se mudar para um apartamento pequeno, ela suporta bem isso, porque ainda tem um teto para morar.
Alguém que possui o contentamento de Deus pode agradecer a Ele pelo filé mignon ou por um simples ovo frito, porque ela tem alguma coisa para comer e sabe que foi Deus quem supriu suas necessidades.
Um cristão espiritual tem esta atitude porque está sob a direção de Deus. Ele quer sempre fazer o melhor. Ele não permite que a sua vida seja destruída pelas circunstâncias deste mundo. Você não pode escapar das palavras de Paulo. Ele disse que Deus nos dá contentamento mesmo quando as circunstâncias não nos agradam.

TRÊS COISAS QUE NOS SUFOCAM

 

Cuidados

 

A primeira é o cuidado ou as preocupações deste mundo. Você sabia que a preocupação é um pecado? Nenhum cristão deve dizer: “Todo mundo se preocupa”.
Esta declaração é irrelevante, porque nem todas as pessoas são cristãs e nem todos os cristãos são espirituais. Paulo diz em Filipenses 4:6: “Não andeis ansiosos por coisa alguma”. Não se preocupe e nunca permita que nada domine a sua mente de maneira tal que você já não consiga mais controlar-se.
Você diz: “Não posso controlar o que está controlando a minha mente”. Claro que pode, porque Filipenses 4:6 continua dizendo: “ ..., mas em tudo, pela oração e pela súplica, com ações de graças, sejam as vossas petições conhecidas diante de Deus”. E o versículo 7 adiciona esta promessa: “e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus”.
A palavra guardar significa “vigiar, colocar uma proteção ao redor de sua mente”, para que quando a preocupação ou algum outro problema aparecer, os soldados que montam a guarda em sua mente possam removê-la. Se você orar, em vez de se preocupar, Deus montará um escudo ao redor de sua mente.

 

Riquezas

 

A segunda coisa que Jesus menciona são as riquezas. Quando seu amor pelo dinheiro — não é o fato de ter dinheiro em si — suplanta o seu amor por Deus, você está-se afogando em sua carteira.
Como é que você sabe que ama o dinheiro mais do que ama a Deus? Quando você precisa escolher entre o dinheiro e Deus, quem ganha? Jesus disse que você sabe o que ama observando os seus investimentos (Mateus 6:19-21).
Quais são os seus investimentos espirituais? O que você dá ao reino de Deus e quais são as coisas que compra para si mesmo? Quanto dinheiro você está disposto a perder para não comprometer os seus valores espirituais? Este é o xis da questão.

Prazeres

 

Jesus disse que o prazer tem a capacidade de sufocar o relacionamento com a sua Palavra. Não preciso dizer a vocês que a cultura do final do século XX é direcionada para o prazer. Temos a televisão e o videocassete. Não queremos perder ou renunciar a nenhum dos prazeres da vida.
 Mas se você está assistindo tanto à televisão que não consegue abrir a
Bíblia e se colocar de joelhos para orar, se você está tendo tanta diversão com seus amigos que não consegue falar sobre assuntos espirituais, se você faz piada com tudo, mas nunca fala de Cristo, e se a Bíblia e as coisas de Cristo deixam você envergonhado em seu convívio social, há alguma coisa errada com seu tipo de diversão.

O BOM SOLO

 

Você não fica contente por Jesus ter mais uma classe de pessoas e mais um tipo de solo a respeito dos quais falar? Leia Lucas 8:15: “A que caiu em boa terra são os que, ouvindo a palavra, a retêm num coração honesto e bom, e dão fruto com perseverança”.
Estes são os cristãos que dão frutos abundantes e permanentes. A característica dos frutos sempre reflete o caráter da árvore.
Quando você está-se relacionando apropriadamente com a Palavra de Deus e o seu amor por Cristo está no lugar devido, você vai agir, falar e pensar como Cristo, pois Ele é a videira à qual estamos ligados João 15:1-5). Você vai ser um espelho de seu caráter.
Sabemos também que os frutos existem para beneficiar outras pessoas. Uma árvore nunca se alimenta de seus próprios frutos. Você nunca viu uma laranjeira chupando laranjas. As laranjas não são produzidas para o benefício próprio da laranjeira.
Uma forma pela qual você pode avaliar seu crescimento espiritual é se outras pessoas querem dar uma mordida na sua vida. As pessoas dizem: “Quero ser como você... como pode me ajudar a ser um crente como você é? ”. Em Mateus 13:8 Jesus diz que o fruto dos cristãos iria multiplicar-se trinta, sessenta e até cem vezes mais. Isto significa que o benefício que você trará para outras pessoas será permanente e constante.

Trechos do livro de Tony Evans de volta ao primeiro amor